IX - Congresso Internacional Sobre o Corpo em Psicanálise – Encontro Ítalo-Brasileiro de Psicanálise

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IX Encontro Ítalo-Brasileiro de Psicanálise

Real Classic Hotel - Orla de Atalaia - Aracaju-SE, Brasil

Localização do Evento

Avenida Santos Dumont, s/n - Coroa do Meio, Aracaju - Sergipe, Brasil - 49036-090


Aracaju, BR

julho 29, 2016 – julho 30, 2016

Quando observamos um recém-nascido, um organismo que veio ao mundo tão perfeito e, ao mesmo tempo, ainda tão em transformação, nos colocamos diante de algumas questões.

Certamente o recém-nascido parece saber se orientar no emaranhado de necessidades e sensações derivantes de sua corporeidade: qual seria, então, a condição que lhe possibilita este saber?

Estudos relativamente recentes nos testemunham que, ainda na vida intrauterina, o feto é capaz de utilizar seus órgãos dos sentidos: audição, olfato, tato, paladar.  O aparato da visão, embora já pronto para ver, aperfeiçoa sua função depois do nascimento. Desta forma, o feto pode, por exemplo, perceber a voz da mãe e outros sons provenientes de dentro e de fora do corpo da mãe, assim como pode perceber o sabor do líquido amniótico no qual está mergulhado, o mesmo sabor e o mesmo cheiro do colostro que encontrará e reconhecerá ao vir ao mundo, a voz que reconhecerá de imediato, ao nascer e ouvir a voz da mãe.

Assim sendo, os órgãos do sentido desenvolvem uma função fundamental, garantindo uma continuidade no seio daquela cisão avassaladora que é o vir ao mundo, abandonado o corpo que, até então, serviu de abrigo.

Com efeito, o que muda substancialmente ao nascer é o fato que aquele indivíduo, agora distinto do corpo da mãe, deve colocar em funcionamento todos os aparatos, inclusive os perceptivos, deve assumir todas aquelas sensações, conhecidas e desconhecidas, porque nada mais lhe será garantido, uma vez fora do útero.

Para viver, deve assumir sua fome e todas as demais sensações.

Portanto, ativam-se imediatamente as funções do perceber e do registrar as sensações percebidas, uma espécie de função mental ainda profundamente arraigada na dimensão corporal, indispensável para selecionar, discriminar, perceber e registrar todas as sensações provenientes da corporeidade, reduzindo progressivamente a condição marasmática e permitindo, desta forma, que o sistema corporal e o sistema psíquico entrem em funcionamento.

A partir desse momento e por toda a nossa existência, nossos órgãos dos sentidos continuarão desenvolvendo a função fundamental de organizar e selecionar as sensações, favorecendo o ativar-se de processos de pensamento em vários níveis de organização e funcionamento.

Por esta razão, são definidos Organizadores físicos e Coordenadores psíquicos (Ferrari, 1992).

Ocorre que, no decorrer do desenvolvimento do aparato psíquico, este, cada vez mais, se distancia da dimensão corporal que o gerou, definindo assim uma relação conflitiva internamente ao sistema. Emoções mais ou menos intensas, ligadas à dimensão sensorial e perceptiva em sua relação com o aparato psíquico, nem sempre conseguem se expressar ou encontrar continência e isto pode gerar um desequilíbrio entre o sentir, o perceber e o pensar, confluindo em formas desarmônicas por vezes tão graves a ponto de comprometer a própria vida, quando a distância e o conflito entre a dimensão corporal e a psíquica chegam até a bloquear a conexão com as percepções sensoriais.

Queremos, assim, refletir sobre a maneira com a qual o que sabemos acerca da função organizadora da sensorialidade possa constituir um instrumento clínico e, portanto, potencialmente transformador no âmbito da relação analítica e sobre como seria possível utilizar os órgãos dos sentidos em sua função de organizadores físicos e coordenadores psíquicos, e, logo, como instrumentos aptos a iniciar uma comunicação funcional na dimensão vertical do analista e do analisando, no contexto da relação analítica.

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ENCONTRO ÍTALO-BRASILEIRO DE PSICANÁLISE



janeiro 22, 2018 – janeiro 23, 2018

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